Dream:In China

Em março de 2013, nós do Instituto Vivarta, recebemos novo convite do Prof. Carlos Teixeira, da Parsons The New School of Design, para participarmos do Dream:In China e fazermos a Dream:In experience nas cidades de Pequim, Xangai e Hong Kong.

Foi a minha primeira visita à China cujo conhecimento se limitava a alguns livros lidos na adolescência (“Henfil na China”) e muitas matérias de jornais falando sobre o novo protagonismo econômico deste país de dimensões continentais.

A chegada a Pequim foi surpreendente, com aeroportos e estradas de tamanho agigantado. Pudemos conhecer um pouco a cidade desde a parte central e turística até seus Hutongs. Em termos de “comunismo” chega a assustar, com dezenas de lojas de relógios de marcas como Rolex e Omega,  em cada esquina, shopping centers subterrâneos com todas as grifes européias possíveis e imagináveis de se sonhar.

A dificuldade da língua e de comunicação fazem de qualquer trajeto uma experiência inenarrável. Chegar do Hotel à Universidade e retornar tinha que ser muito bem planejado, levando conosco os endereços em caracteres chineses, e tomando cuidado para não se atrapalhar.

Dream:In China iniciou-se em um espaço de co-work com a participação de cerca de 100 estudantes. Na China os imóveis são do governo e a iniciativa privada pode explorar mediante uma licença (aluguel), desde que o projeto faça parte dos planos da cidade.

Os temas que surgiram no evento eram: ar limpo (devido à grande poluição das cidades), transporte público de qualidade, controle da corrupção, melhor acesso dos chineses ao estrangeiro e destes à China, educação. Percebe-se uma forte influência do Governo que permeia toda a ação individual, sempre a palavra de ordem era: governo!

O governo exerce grande poder nas decisões e nas ações dos cidadãos, e o Partido (único) acolhe os melhores estudantes já nas universidades para posições chave no governo.

Ser um associado do partido confere grande status e posição social, além de privilégios, assim nos contaram.

O jovem chinês é bem educado e tem ambições globalizadas.
O acesso à internet é restrito, não sendo possível acessar redes sociais como tweeter ou facebook, apenas versões locais de plataformas sociais.

De modo geral os estudantes são bem formados, e tem ambições grandes, mas pouco claras de como executá-las, considerando um governo bastante interventor, mas que aparentemente parece funcionar bem.

De Pequim seguimos para Xangai, uma cidade enorme, como São Paulo, e relativamente bem parecida com qualquer cidade ocidental, prédios altos, concentração demográfica, muitas lojas.

Xangai tem um centro comercial equiparável a qualquer cidade ocidental, ou melhor ainda, de proporções asiáticas.

Todas as lojas lotadas de clientes e consumo frenético. Os preços são geralmente mais altos que as lojas dos EUA e Europa. Muitos ocidentais também moram em Xangai, cidade que concentra grande parte das filiais de empresas européias e americanas instaladas na China continental.

A partir de Xangai visitamos Chongming, uma ilha rural a 98 km da cidade.

Com auxílio do Prof. Lou da Universidade Sino-Finnish Centre, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo, com auxílio dos alunos, vem desenvolvendo projetos locais junto à comunidade para dar acesso ao mercado, atualizar as residências e adaptá-las aos habitantes da cidade e fazendo um intercâmbio de conhecimento entre a cidade e o meio rural.

As propriedades rurais são casas pequenas para os padrões brasileiros, com um quintal, e todas elas possuem acesso a uma área comunitária maior para plantio comum.

As propriedades pertencem às famílias e não podem ser vendidas, apenas alugadas.
Com o auxílio da Universidade Sino-finlandesa, visitamos produtores rurais de permacultura que vendem seus produtos e distribuem com auxílio da internet e dos correios, e também fomos a uma estufa adaptada para cursos e vivências experiênciais no meio rural.

O projeto que começou dentro da Universidade hoje já é independente e tornou-se uma empresa.

De Xangai partimos para Hong Kong, um dos maiores portos de carga do mundo, a cidade realmente impressiona. Com governo local “independente” do que eles chamam de mainland China, HK é uma grande cidade globalizada.

Hong Kong é um porto livre e confere isenção de IVA (imposto equivalente ao nosso ICMS) sendo um centro comercial para toda a China, já que os preços chegam a ser cerca de 15% mais baratos que no continente.
Em HK participamos do Dream:In no Design Centre, uma instituição pública que incentiva o design; aqui participaram além de alunos, também profissionais de empresas, e burocratas. Foi a experiência mais rica e internacional que tivemos.

Os participantes mencionavam muito problemas de concentração demográfica e falta de moradia, poluição, e preocupações sociais, inclusive controles mais restritos aos governantes.

Há claramente uma abertura muito maior do que na China continental, com uma liberdade de pensamento e ação que não existe na outra parte.

Os profissionais eram também de alto nível com inglês impecável e uma cabeça mais liberal.

A vivência na China me trouxe inúmeras conclusões pessoais e me confundiu um pouco também.

Com a presença de um governo forte mas executivo, e uma notável direção e prosperidade pelo bem comum acima do individual, talvez parte da tradição taoísta, aparentemente parece que tudo funciona muito bem.

Percebe-se claramente que a cultura é bastante diferente da nossa em todos os aspectos.

A política do filho único, criou uma geração “mimada” pelos pais e avós que agora também tem o ônus de ter que sustentá-los além de suas próprias famílias; esse tema surgiu em muitas conversas com jovens chineses.

Vimos também muitas famílias com bebês, idosos praticando exercícios ao ar livre (Tai Chi) e lojas de chá, bebida tradicional.

A cultura da China está mudando bastante, passando a ser uma sociedade com acesso a bens de consumo e altas taxas de crescimento econômico o que faz com que a geração atual tenha um padrão de vida material muitas e muitas vezes superior ao seus pais e avós.

Uma população numerosa de cerca de 1,3 billhões de pessoas, onde todos os “problemas” tomam também proporções imensas.

Ao mesmo tempo, preservam-se tradições culturais muito fortes e existe interesse em resgatar essa cultura milenar e valorizá-la, uma vez tanto perdida em revoluções culturais e políticas.

Viver a China me fez ter um novo olhar sobre o Brasil. Chegando aqui tudo parece que ficou pequeno, desde os prédios na cidade de São Paulo, até as ruas que me pareciam estreitas e vazias.

Também acredito que na China há uma preocupação maior com o coletivo do que o individual, e há uma aceleração da afluência material muito grande nas cidades e também no meio rural.

A China me impressionou positivamente pela sua grandeza e capacidade de reinventar-se frente ao novo milênio.

Pequim: câmeras de segurança

Pequim: Grande Muralha

Vista de Xangai

Vista de Xangai

Apple Store no centro de Xangai

Dream:In China Xangai

Chongming: casa revitalizada

Chongming: estufa

Chongming: estufa

Chongming: estufa

Ilha Chongming

Chongming: visita a produtor rural de permacultura

Professor Lou

Xangai: Tongji University, Sino Finn University

Claudia Davis em HK