Dream:In China

Em março de 2013, nós do Instituto Vivarta, recebemos novo convite do Prof. Carlos Teixeira, da Parsons The New School of Design, para participarmos do Dream:In China e fazermos a Dream:In experience nas cidades de Pequim, Xangai e Hong Kong.

Foi a minha primeira visita à China cujo conhecimento se limitava a alguns livros lidos na adolescência (“Henfil na China”) e muitas matérias de jornais falando sobre o novo protagonismo econômico deste país de dimensões continentais.

A chegada a Pequim foi surpreendente, com aeroportos e estradas de tamanho agigantado. Pudemos conhecer um pouco a cidade desde a parte central e turística até seus Hutongs. Em termos de “comunismo” chega a assustar, com dezenas de lojas de relógios de marcas como Rolex e Omega,  em cada esquina, shopping centers subterrâneos com todas as grifes européias possíveis e imagináveis de se sonhar.

A dificuldade da língua e de comunicação fazem de qualquer trajeto uma experiência inenarrável. Chegar do Hotel à Universidade e retornar tinha que ser muito bem planejado, levando conosco os endereços em caracteres chineses, e tomando cuidado para não se atrapalhar.

Dream:In China iniciou-se em um espaço de co-work com a participação de cerca de 100 estudantes. Na China os imóveis são do governo e a iniciativa privada pode explorar mediante uma licença (aluguel), desde que o projeto faça parte dos planos da cidade.

Os temas que surgiram no evento eram: ar limpo (devido à grande poluição das cidades), transporte público de qualidade, controle da corrupção, melhor acesso dos chineses ao estrangeiro e destes à China, educação. Percebe-se uma forte influência do Governo que permeia toda a ação individual, sempre a palavra de ordem era: governo!

O governo exerce grande poder nas decisões e nas ações dos cidadãos, e o Partido (único) acolhe os melhores estudantes já nas universidades para posições chave no governo.

Ser um associado do partido confere grande status e posição social, além de privilégios, assim nos contaram.

O jovem chinês é bem educado e tem ambições globalizadas.
O acesso à internet é restrito, não sendo possível acessar redes sociais como tweeter ou facebook, apenas versões locais de plataformas sociais.

De modo geral os estudantes são bem formados, e tem ambições grandes, mas pouco claras de como executá-las, considerando um governo bastante interventor, mas que aparentemente parece funcionar bem.

De Pequim seguimos para Xangai, uma cidade enorme, como São Paulo, e relativamente bem parecida com qualquer cidade ocidental, prédios altos, concentração demográfica, muitas lojas.

Xangai tem um centro comercial equiparável a qualquer cidade ocidental, ou melhor ainda, de proporções asiáticas.

Todas as lojas lotadas de clientes e consumo frenético. Os preços são geralmente mais altos que as lojas dos EUA e Europa. Muitos ocidentais também moram em Xangai, cidade que concentra grande parte das filiais de empresas européias e americanas instaladas na China continental.

A partir de Xangai visitamos Chongming, uma ilha rural a 98 km da cidade.

Com auxílio do Prof. Lou da Universidade Sino-Finnish Centre, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo, com auxílio dos alunos, vem desenvolvendo projetos locais junto à comunidade para dar acesso ao mercado, atualizar as residências e adaptá-las aos habitantes da cidade e fazendo um intercâmbio de conhecimento entre a cidade e o meio rural.

As propriedades rurais são casas pequenas para os padrões brasileiros, com um quintal, e todas elas possuem acesso a uma área comunitária maior para plantio comum.

As propriedades pertencem às famílias e não podem ser vendidas, apenas alugadas.
Com o auxílio da Universidade Sino-finlandesa, visitamos produtores rurais de permacultura que vendem seus produtos e distribuem com auxílio da internet e dos correios, e também fomos a uma estufa adaptada para cursos e vivências experiênciais no meio rural.

O projeto que começou dentro da Universidade hoje já é independente e tornou-se uma empresa.

De Xangai partimos para Hong Kong, um dos maiores portos de carga do mundo, a cidade realmente impressiona. Com governo local “independente” do que eles chamam de mainland China, HK é uma grande cidade globalizada.

Hong Kong é um porto livre e confere isenção de IVA (imposto equivalente ao nosso ICMS) sendo um centro comercial para toda a China, já que os preços chegam a ser cerca de 15% mais baratos que no continente.
Em HK participamos do Dream:In no Design Centre, uma instituição pública que incentiva o design; aqui participaram além de alunos, também profissionais de empresas, e burocratas. Foi a experiência mais rica e internacional que tivemos.

Os participantes mencionavam muito problemas de concentração demográfica e falta de moradia, poluição, e preocupações sociais, inclusive controles mais restritos aos governantes.

Há claramente uma abertura muito maior do que na China continental, com uma liberdade de pensamento e ação que não existe na outra parte.

Os profissionais eram também de alto nível com inglês impecável e uma cabeça mais liberal.

A vivência na China me trouxe inúmeras conclusões pessoais e me confundiu um pouco também.

Com a presença de um governo forte mas executivo, e uma notável direção e prosperidade pelo bem comum acima do individual, talvez parte da tradição taoísta, aparentemente parece que tudo funciona muito bem.

Percebe-se claramente que a cultura é bastante diferente da nossa em todos os aspectos.

A política do filho único, criou uma geração “mimada” pelos pais e avós que agora também tem o ônus de ter que sustentá-los além de suas próprias famílias; esse tema surgiu em muitas conversas com jovens chineses.

Vimos também muitas famílias com bebês, idosos praticando exercícios ao ar livre (Tai Chi) e lojas de chá, bebida tradicional.

A cultura da China está mudando bastante, passando a ser uma sociedade com acesso a bens de consumo e altas taxas de crescimento econômico o que faz com que a geração atual tenha um padrão de vida material muitas e muitas vezes superior ao seus pais e avós.

Uma população numerosa de cerca de 1,3 billhões de pessoas, onde todos os “problemas” tomam também proporções imensas.

Ao mesmo tempo, preservam-se tradições culturais muito fortes e existe interesse em resgatar essa cultura milenar e valorizá-la, uma vez tanto perdida em revoluções culturais e políticas.

Viver a China me fez ter um novo olhar sobre o Brasil. Chegando aqui tudo parece que ficou pequeno, desde os prédios na cidade de São Paulo, até as ruas que me pareciam estreitas e vazias.

Também acredito que na China há uma preocupação maior com o coletivo do que o individual, e há uma aceleração da afluência material muito grande nas cidades e também no meio rural.

A China me impressionou positivamente pela sua grandeza e capacidade de reinventar-se frente ao novo milênio.

Pequim: câmeras de segurança

Pequim: Grande Muralha

Vista de Xangai

Vista de Xangai

Apple Store no centro de Xangai

Dream:In China Xangai

Chongming: casa revitalizada

Chongming: estufa

Chongming: estufa

Chongming: estufa

Ilha Chongming

Chongming: visita a produtor rural de permacultura

Professor Lou

Xangai: Tongji University, Sino Finn University

Claudia Davis em HK

Mudança e Inovação – Um encontro com Waverli M. Matarazzo-Neuberger

“Devemos operar a partir do futuro, a medida que ele emerge” – Otto Scharmer

 

Um fato por muitas vezes relembrado é o de que Michelangelo, ao ser cumprimentado pela convincente e bela escultura de Moisés que acabara de concluir em mármore, disse: “Eu só tirei o excesso, ele já estava lá”.

Eu sempre me impressionei com o significado desta fala, tenha ela sido dita nestes exatos termos, ou não.

 

Em decorrência, ao refletir sobre a precisão do artista em manipular o bisel em um bloco de mármore, tal qual a de um cirurgião com o bisturi no corpo humano, me pergunto se seria possível, de alguma forma, modelarmos a nossa mente com essa mesma maestria, no aprofundamento da compreensão das diferentes questões com que nos defrontamos, visando a produção de uma verdadeira obra de arte. E, que ferramentas, então, nós usaríamos?

 

Uma delas é certamente, a metodologia da Teoria U, criada pelo professor e pesquisador Otto Scharmer do Massachusetts Institute of Technology – MIT e presidente-fundador do Presencing Institute.  Aliás, a palavra Presencing - combinação dos termos presence (presença) e sensing (sentir) – reflete a filosofia que permeia a teoria. Para falar da Teoria U e de sua experiência em aplicá-la, o Instituto Vivarta convidou Waverli M. Matarazzo-Neuberger, bióloga, doutora, Coordenadora do Núcleo de Sustentabilidade da Universidade Metodista e discípula de Otto Scharmer no Presencing Institute.

 

Assim, durante toda uma manhã de sábado, ouvimos e dialogamos demoradamente com Waverli que, com extrema clareza, percorreu as diversas fases dessa tecnologia de liderança social, calcada nas capacidades de que já dispomos – mas que nem sempre disponibilizamos -, que são a Mente Aberta, o Coração Aberto e a Vontade Aberta. “O exercício consciente destas três capacidades, nos permite uma conexão profunda com o nosso mais legítimo Eu”, diz Waverli, “propiciando que a Teoria U se constitua em uma diferenciada ferramenta para se alcançar mudanças profundas, no individual e no coletivo”, concluiu.

 

Vale a pena conhecer algumas manifestações dos que lá estavam. Assim, Maria Silvia Barretto, do Conselho do Vivarta, logo vislumbrou a aplicabilidade da teoria na conscientização de grupo que realiza projeto de empreendedorismo e do qual participa. Ana Claudia Zacharias, com o mesmo entusiasmo de Maria Silvia, viu na teoria uma excelente ferramenta de facilitação da relação entre pais e filhos, bem como no mundo dos negócios.

 

Em se falando de mudança e inovação, Carmen Archilla, diretora do Vivarta, assim se expressa sobre como atingi-las: “Não se fechar a novas experiências (cultura do não), manter a mente aberta, evitar julgamentos, reconsiderar os medos para poder criar/gerar (regenerar)”.

 

Waverli finaliza dizendo que a aplicação da Teoria U em um grupo ou organização pode ser atingida por um processo de alta performance, composto de sessões, palestras e dinâmicas em se que permite atingir um profundo nível de consciência de cada um dos seus participantes.

 

Claudia Meirelles Davis, presidente do Vivarta assim se manifestou sobre o encontro: “Com o profundo conhecimento do conteúdo e de como comunicá-lo, Waverli o colocou de uma maneira simples de entender. Talvez não tão simples de aplicar pois, neste caso, isto depende da maturidade e da capacidade de desprendimento de cada um.”

 

Neste amplo contexto entendo, portanto, que com o ferramental adequado poderemos, sim, modelar a abordagem e a nossa forma de agir, sempre em um ambiente de promoção do auto-conhecimento e de conexão com as pessoas que nos cercam.

 

 

Luiz Eduardo Carvalho Junqueira Machado

Conselheiro do Instituto Vivarta, engenheiro, consultor

 

O que é essencial para você?

L’essentiel est invisible pour les yeux.” Le Petit Prince

 

 

Dormimos, acordamos, trabalhamos, estudamos, corremos de um lado ao outro da cidade, falamos ao telefone enquanto comemos, nos cansamos, ou melhor, nos esgotamos. No entanto estamos fazendo o que amamos? Movemos a vida ou a vida é que nos move? Afinal de contas o que estamos fazendo pelos nossos sonhos?

Essas perguntas vinham me acompanhando durante muito tempo e diariamente eu refletia sobre como chegar mais perto dos meus sonhos, foi então que comecei a aplicar um método simples, porém eficaz, ACREDITAR! Substituí a velha frase: “Ahhh eu queria tanto fazer isso…” por “Eu vou fazer isso e quando eu fizer…”. Assim foi durante um ano, pode parecer história de livro de autoajuda, mas aconteceu de verdade. Tudo porque parei de assistir minha vida e esperar que um gênio da lâmpada mágica cruzasse meu caminho e comecei a ser autora da minha própria história. Os nossos medos e falta de crença nos afastam do que é essencial para cada um de nós, além de nos fazer escravos de nós mesmos. Afinal de contas o que é ESSENCIAL para você? Sempre acreditei em uma velha frase de um livro da minha infância (Le Petit Prince) que dizia que “o essencial é invisível aos olhos”, de fato para mim a vida é mais que apenas nascer, crescer, reproduzir, morrer e fim, como bem disse William Shakespeare “há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”. Cada um de nós tem algo de inesquecível, intransferível e imortal, portanto, precisamos alimentar não apenas nosso corpo físico, mas também nossa alma. E um dos alimentos mais nutritivos para a alma são os SONHOS, pois eles nos transportam da condição de apenas sobreviventes para construtores da nossa própria trajetória, da nossa vida.

Na busca diária dessa substancia que me fizesse sentir mais VIVA foi que me deparei com a formosa e bela Índia, o lugar que hoje também chamo de casa. Tudo que eu lia e me inspirava estava de alguma forma conectada com a cultura e os modos de vida daquele povo. Depois de meses eu já me via completamente apaixonada por aquelas cores, texturas, sons, imagens, formas,… Eu sonhava acordada com a Índia. Não restavam dúvidas no meu coração que eu iria visitar aquela terra de mistérios e delícias. Eu não sabia quando, nem como, mas estava consumado dentro de mim que em um futuro não muito distante esse sonho seria realidade. Quando acreditamos em algo com o coração criamos a experiência dentro de nós e tudo o que precisamos fazer é projeta-la para fora de nós, foi o que eu fiz na primeira oportunidade que tive. Projetei com tanta convicção que o resultado foi uma concretização intensa do meu sonho. Um dia fui a um evento muito interessante sobre “life design” e o palestrante me disse algo que nunca esqueci: “O único problema de você sonhar é que o sonho se realiza”. No momento achei estranha a frase, porque qual problema teria em um sonho se realizar, afinal de contas isso é tudo o que queremos. Mas depois de passar por esse intenso processo de realização da minha viagem para a Índia passei a entender melhor essa frase, pois muitas vezes subestimamos os nossos sonhos e quando eles aparecem na nossa frente ficamos sem saber o que fazer e sem saber se estamos preparados para concretiza-los. Portanto, cuidado no momento de escolher os seus sonhos, você estará correndo perigo, pois eles irão se REALIZAR!!!

Não tive nem mesmo tempo de entender o que estava acontecendo. E em menos de 15 dias partiria para uma das experiências que julgo uma das mais incríveis da minha vida. Eu tinha 15 dias para entender o que estava acontecendo, me organizar, me despedir de todos, me preparar psicologicamente e comemorar a realização do meu sonho! Foram dias intensos e cheios de sentimentos de todas as ordens, eu chorava, ria, brincava, ficava nervosa, algumas vezes muito calma, outras muito cansada, tudo isso de UMA VEZ SÓ. Foi com essa atmosfera que deixei o Brasil. Depois de horas e mais horas de voo eis que piso em terras indianas. Tenho impressão que naquele momento o Universo resolveu me presentear com um algo maravilhoso: UMA VIAGEM INESQUECIVEL! Hoje quando me lembro das experiências que tive e de tudo que vivi não tenho nada do que lamentar, muito pelo contrário sou GRATA por cada segundo que passei naquela terra abençoada, que me ensinou coisas que jamais esquecerei…

Tive a oportunidade única de viajar “comigo mesma” para vários lugares.

 

Encontrei pessoas que até hoje tenho dúvidas se eram pessoas humanas ou seres de puro amor escondidos em corpos humanos.

 

Vi cenas, paisagens e imagens que ficaram registradas na minha alma com lições eternas.

 

Ganhei abraços que ficaram para sempre guardados dentro de mim.

 

Compartilhei sentimentos bons e ruins com pessoas inesquecíveis.

 

Fui ouvida e ouvi muito sobre a vida, sobre o planeta, sobre Deus e o Universo.

 

Alimentei-me de alimentos não apenas para o corpo físico, mas também para o espírito.

 

Mergulhei em águas que curam e purificam.

 

Diverti-me como nunca!

 

Sorri muito e para todos.

 

Fiz amigos para a vida toda.

 

Chorei como criança ao ser tocada pelo simples e sutil.

 

Agradeci incansavelmente cada momento.

 

Senti-me parte de tudo e de todos.

 

E aprendi que a vida não é outra coisa senão aprender e aprender sempre com tudo e todos… Aprender a amar, aprender a respeitar, aprender a desapegar, aprender a servir, aprender a doar, aprender a receber, aprender a ser grato… APRENDER A VIVER E VIVER APRENDENDO!

 

Hoje, apesar de estar há apenas um mês no Brasil, já sinto imensas saudades de tudo que vivi, pois como cita Ella Maillart – uma grande viajante e escritora -  “it is always our own self that we find at the end of the journey”. Sinto que parte de mim vive no Brasil e outra parte na minha Índia, na Índia que criei aqui dentro mim e que jamais abandonarei. Termino esse breve relato da minha experiência com uma frase do Mia Couto que gosto muito e que acredito resumir um pouco do que é viajar para mim.

 

 

A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores. A viagem acontece quando acordamos fora do corpo, longe do último lugar onde podemos ter casa. A viagem termina quando encerramos as nossas fronteiras interiores. Regressamos a nós, não a um lugar. Mia Couto, O Outro Pé da Sereia.

Ana Carolina Ribeiro

Designer e Turismóloga, é uma amante incondicional das viagens e profunda sonhadora, busca realizar trabalhos que tem como objetivo tornar o mundo mais humanizado e cheio de vida.

 

O saber inovar

Empresas, governos e agências não governamentais vivem hoje um grande desafio: como cumprir sua missão dentro de um contexto de rápida e grande transformação? Estes agentes produtivos vem enfrentando no seu dia-a-dia de planejamento e tomada de decisão a difícil tarefa de terem que inovar para não se tornarem obsoletos, irrelevantes e portanto dispensáveis e indesejados por seus usuários.

 

Tomemos como um bom exemplo atual o serviço comumente chamado de “forma de pagamento”. Uma atividade que se manteve relativamente estável e padronizada por várias décadas, tendo como principal objeto da transação o dinheiro em espécie e o cheque bancário, vem passando, nos últimos anos, por transformações significativas. Cartões de débito e crédito, pagamentos eletrônicos e o sistema de pontos por fidelidade são os exemplos mais conhecidos desta transformação. Porém, outros menos conhecidos, como o sistema M-Pesa, também possuem um grande poder de transformação. O M-Pesa é ao mesmo tempo um sistema eletrônico de transferência de dinheiro e serviço de micro-crédito que funciona através de telefones celulares básicos. Ele é atualmente o serviço bancário mais popular no Quênia e na Tanzânia com mais de dezessete milhões de contas só no Quênia, o que equivale a toda a população do estado do Rio de Janeiro. Vale tentar imaginar como seriam o dia-a-dia em todas as cidades do Rio de Janeiro se todos os micro empresários e pequenas empresas, tais como padarias, feiras, taxistas, pedreiros, faxineiras e cabeleireiros pudessem utilizar um sistema semelhante ao M-Pesa para transferência de valores e micro-créditos. Tais inovações causam um efeito transformador em todas as atividades diretamente relacionadas a estas mudanças, afetando toda a sua cadeia no entorno e desafiando empresas, governos e agências não governamentais a se adaptarem, ou seja, a inovarem para continuarem oferecendo produtos e serviços relevantes e funcionais.

 

O impacto destas inovações afetam cada agente desta cadeia de produtos e serviços de forma diferenciada, demandando assim respostas e subseqüentes inovações pontuais, únicas e específicas para cada impacto. No caso do exemplo anterior, um novo sistema de pagamento acaba evidenciando as falhas e ineficiências de sistemas que se acomodaram e não acompanharam as mudanças. Inovações como o M-Pesa questionam e desafiam, por exemplo, os tradicionais serviços de empréstimos bancários, ou os financiamentos do governo para pequenos empreendedores e empresas, fazendo com que agentes financeiros estatais tenham que inovar para se atualizar às novas demandas e expectativas de seus usuários. Porém, o desafio é grande, pois em sua grande maioria agentes financeiros estatais, assim como empresas e agências não governamentais não se encontram capacitados, equipados e estruturados para inovarem. Seu modelo é voltado para gerir e não para inovar. Tal deficiência tem conseqüências problemáticas quando se trata de oferecer serviços e produtos eficientes e de qualidade. Não basta querer inovar, é preciso saber inovar.

 

Com uma população global estimada em sete bilhões de pessoas e com a entrada em massa desta população na faixa de consumo de produtos e serviços, as oportunidades de inovação em mercados emergentes como o Brasil, Índia e China são incalculáveis, ao mesmo tempo que podemos medir com certa facilidade a limitada capacidade de inovar, devido ao fato de se tratar de uma quantidade muito reduzida, e assim, irrisória para causar algum impacto de grande escala. Inovações como o M-Pesa servem como alerta para entendermos que vivemos hoje um grande desafio em todos os setores – indústria, serviço, governo e terceiro setor: existe uma alta demanda por inovação, porém pouca capacidade para inovar.

 

Uma das soluções para enfrentar este desafio seria aumentar em larga escala a capacidade de inovação por meio de investimentos em mais capacitadores (pessoal, instituições e organizações). Entretanto, uma outra forma mais promissora e adequada aos mercados emergentes são novos modelos de se fazer inovação em rede aberta. Este novo modelo é baseado no princípio de que é preciso buscar formas mais produtivas, eficientes e replicáveis de se fazer inovação, mas sem depender do aumento de capacitadores. Neste modelo, o saber inovar está inserido no dia a dia das organizações e em suas interações com outros agentes da cadeia produtiva, em vez de restrito a alguns poucos com a capacidade de inovar.

 

Momentos de grandes transformações, como o caso atual dos mercados emergentes, trazem grandes incertezas ao mesmo tempo que abrem uma infinidade de oportunidades para se aprimorar produtos e serviços. Saber aproveitar estas oportunidades  está diretamente ligado ao saber inovar. Quanto maior for a capacidade de inovar, maior será o impacto na qualidade dos produtos e serviços em oferta para seus usuários. Neste contexto a inovação em rede aberta se apresenta como uma opção viável de saber inovar em larga escala e de forma eficiente para empresas, governos e agências não governamentais que confrontam diariamente o desafio de se manterem relevantes.

 

Carlos Teixeira, PhD

Co-Director DREAM:IN Project

Associate Professor

School of Design Strategies

Parsons The New School for Design

New York, NY

 

Oleiros do Morumbi

O Porto Morumbi, localizado no sul do Mato Grosso do Sul, foi fundado na década de 50 por incentivo direto do Governo de  Getúlio Vargas, no intuito de desenvolver as áreas distantes até 100 km da fronteira com Paraguai.

Naquele tempo o Rio Paraná era navegável e por falta das estradas de rodagem, era a principal forma de transporte de passageiros e de produção.

Próximo dalí ficava o salto das 7 quedas, beleza natural inundada pelo lago de Itaipú.

Por três décadas o pequeno porto se desenvolveu formando uma pequena cidade baseada na exploração do palmito e da madeira. No final da década de 70 com o traçado da BR 163 passando a 20 km dali, iniciou o desenvolvimento da cidade de Eldorado, que se tornaria sede do município.

Com o desaparecimento da madeira e do palmito, extinção do transporte fluvial e desenvolvimento da sede do munucípio, o Porto do Morumbi foi relegado ao esquecimento público e seus poucos moradores dedicaram-se a extração de argila e produção de tijolos, em pequenas olarias familiares.

E exploração foi desenfreada e o dano à barranca do Rio Paraná, dentro do Parque Nacional da Ilha Grande, foi enorme.

 

Com a APP destruida, e cerca de 16 olarias funcionando de forma precária e sem licença de lavra, o governo municipal iniciou um projeto de licenciamento na primeira metade da década passada. Além disso, comprou uma área fora da APP para lavra e fixação das olarias. Pelo Ministério Público e órgãos de proteção ambiental, a continuidade é proibida mas por se tratar de famílias carentes é concedida moratória até que a licença seja expedida e as mudanças das olarias sejam feitas.

Os oleiros se organizaram em cooperativa, mas isto não bastou para o convencimento de todos e muitos deles ainda continuam sendo espremidos pelos intermediários na venda dos tijolos. Outra contingência é a energia adotada para queima dos tijolos – lenha. Produto escasso na região e cada vez mais caro.

 

O Instituto Vivarta, por iniciativa de um de seus conselheiros, realizou no local um diagnóstico no ano de 2009 contratando o famoso ceramista Emile Badran para estudo do barro e desenvolvimento de possíveis produtos.

O projeto Oleiros do Morumbi – MS, foi escrito mas até o presente momento não encontramos interesse de empresas ou pessoas físicas para sua implantação, infelizmente.

Idealizamos para este projeto, alinhados à Prefeitura, a mudança de todas as olarias para a área adquirida, recuperação da APP com plantio de árvores nativas com mudas de viveiro a ser implantado pela comunidade.

Nas olarias será implantado a tecnologia de tijolos de solo-cimento, onde a materia prima é solo, com certa proporção de areia e cimento. Estes tijolos são mais modernos, favorecendo melhor conforto térmico-acústico e agilidade na construção, sem a necessidade de queima, portanto, ecológico. Seria um produto novo para Região e o primeiro cliente seria a Prefeitura, que por parceria se propôs a construir as casas populares com esta matéria prima.

Em estudo, para o futuro, ficou a possibilidade de captaçào da areia do leito do Rio Paraná, favorecendo o desassoriamento. Mas isto implica em licenças muito difíceis e demoradas.

Incentivaremos, com apoioda da Prefeitura, o projeto aprendiz, para que os jovens pudessem trabalhar e aprender uma profissão. As mulheres, hoje parceiras de seus maridos na olaria, seriam convidadas a desenvolver artesanatos propostos por Emile Badran em local já construido com este fito pelo governo local.

O Vivarta com sua experiência, auxiliará na implantaçào de todo projeto e na comercialização dos produtos.

Entendemos que este projeto transversal na sociedade local atenderia a mão de obra atuante, a temporária, os aprendizes e as mulheres, trazendo um benefício social e ambiental para este paraíso chamado Morumbi.

 

Para interessados em conhecer detalhes deste projeto, solicitamos contatar contato@vivarta.org.br.

 

Créditos: Emile Bradan

Créditos: Emile Bradan

Créditos: Emile Bradan

Créditos: Emile Bradan

Créditos: Emile Bradan

Imagem cedida pela comunidade local

Imagem cedida pela comunidade local

Imagem cedida pela comunidade local

Manoel Sá e Benevides

Conselheiro – Instituto Vivarta